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Observando o observador

Texto extraído de:  OSHO – Zen: The Path of Paradox – Vol. 3 – Capítulo #4 – Pergunta n° 4

Face original é aquilo que Deus é. Face original quer dizer a sua face quando você não tinha qualquer definição, quando você não tinha corpo, não tinha contorno, nenhuma localização. Face original significa a sua realidade sem forma, quando você nem era nascido, quando nem mesmo seu pai e sua mãe eram nascidos.

Face original quer dizer a fonte de energia, a fonte de energia absoluta, a energia original, além da qual não conseguimos ir – além da qual não existe caminho algum para se ir. Face original quer dizer: abandone todas as máscaras, todos os nomes e todas as formas, e apenas continue olhando para dentro de si e tentando encontrar aquele algo que não foi criado por você, que não foi criado pela sociedade, que não é um sistema de crenças, que nada tem a ver com a sua mente. E continue olhando, continue olhando… Um dia, você tropeça e dá de cara com o observar – que é a única coisa que você não criou, e que é a única coisa além da qual você não consegue ir. Deixe-me repetir, isso é significante. O observar é a única coisa em você, além da qual você não consegue ir. Você não consegue observar o observador.

Como você conseguiria observar o observador? Você consegue observar o corpo – e se certificar de que você não é o corpo. Você consegue fechar os olhos e ver seu corpo, ele está ali. Há uma ligeira dor de cabeça, suas pernas estão ficando dormentes. Assim, uma coisa é certa – você está separado da dormência da perna, caso contrário, como você iria saber dela? O conhecedor tem que estar separado daquilo que está sendo conhecido. Uma coisa é certa: você não é a cabeça nem a dor de cabeça. Você é essa consciência que está conhecendo isso.

Depois continue aprofundando. O corpo não é você. Os pensamentos estão flutuando na mente – um tráfego constante. Um pensamento vem, outro pensamento vem, e eles continuam se apressando nesse entra-e-sai. Esses pensamentos são você? Como podem ser? Então quem é esse observador? Esses pensamentos são como hóspedes e você é o dono da casa. Assim, uma outra camada foi quebrada. Você não é esses pensamentos, você não pode ser. Você é o observador, aquele que continua vendo.

Um pensamento surge, a raiva está chegando. Alguém o insultou e você fica com raiva – um pensamento surge, uma fumaça de raiva aparece. Quem é este que sabe que a raiva está chegando? E, em seguida, ela retrocede também! Num momento a raiva não estava ali, no momento seguinte ela apareceu, e depois novamente ela se foi. Ora, quem é este que está observando? Este é você. Mas você consegue observar o observador? Não há como. Se você puder observar aquele observador, então aquele que está observando será você – não o que está sendo observado, mas o que observa.

Este é finalmente o ponto irredutível. Você não consegue ir além dele. Esta é a origem, o que os hindus chamam de sakshin, o observador, e o povo Zen chama face original. Isso é o que outras religiões chamam Deus. Deus é a sua face original.”

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