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John Coltrane

John Coltrane

John Coltrane (1926 / 1967)

Saxofonista e compositor de jazz americano, habitualmente considerado como o maior sax tenor do jazz, além de um dos maiores compositores deste gênero de todos os tempos. Sua influência no mundo da música ultrapassa os limites do jazz, indo desde o rock até a música erudita.

Reformulou o jazz, influenciou e continua a influenciar gerações de outros músicos. Lançou cerca de 50 gravações como líder em doze anos, além das inúmeras participações especiais. Com o passar dos anos em sua carreira, sua música foi tomando progressivamente uma dimensão espiritual que iria consagrar com chave de ouro seu legado musical.

Coltrane, Cannonball Adderley, Miles Davis e Bill Evans

Junto com os saxofonistas tenores Coleman Hawkins, Lester Young e Sonny Rollins, Coltrane mudou as perspectivas e os estigmas de seu instrumento.

Coltrane recebeu diversas pemiações e citações, em especial, o Prêmio Pulitzerpela sua “perita improvisação, musicalismo supremo e um dos ícones centrais na história do jazz.”

em 1946, começa a tocar em diversos pequenos bares e clubes ao redor da Filadélfia, e entra para o grupo de Joe Webb e depois para a King Kolax Band, com o saxofonista Charlie Parker. É nesse grupo que ele decide trocar o saxofone alto pelo tenor, visto que Parker, que tocava saxofone alto, já havia “esgotado” as possibilidades desse instrumento.

Já no começo da carreira é admirado por outros músicos e em 1949 recebe o convite de Dizzy Gillespie para tocar saxofone alto em sua big band, em 1955, recebe um telefonema do trompetista Miles Davis o convidando a se juntar em um grupo que ele estava formando, chamado Miles Davis Quintet. Com Miles, Coltrane finalmente se estabeleceria como um importante músico de jazz.

Miles Davis – Kind of blue (1959)

Em 1957 é forçado a parar de tocar devido a seus problemas com drogas. Miles o substitui por Sonny Rollins. Logo volta a tocar, mas agora como líder (ao lado do baixista Paul Chambers) e também participando do quarteto de Thelonious Monk. Em 1959 Coltrane grava com o grupo de Miles Davis o célebre álbum “Kind of blue”, no qual utilizam escalas de forma diferente do Jazz tradicional, sendo considerado como um dos álbuns mais influentes do jazz, alcançando um elevado número de vendas. Entre as sessões deste álbum, Coltrane começa a gravar para a Atlantic Records o álbum solo Giant Steps lançado em 1960. Este álbum é o primeiro com todas as composições de sua autoria, apresentando um novo conceito de uso harmônico conhecido mais tarde como “Coltrane changes” (“mudanças Coltrane” em português), que consistiam em substituições de progressões harmônicas. Muitas faixas deste álbum tornaram-se standards, como “Naima”, “Giant Steps”, e “Mr. P.C.”. A música “My Favorite Things” também surgiu nesta época.

Durante este período, Coltrane desenvolve uma técnica que se baseava em várias notas rápidas tocadas em legato, que tornariam seus solos mais longos. Essa técnica se tornaria uma de suas marcas registradas.

Em seguida, Coltrane assina contrato com a gravadora Impulse, onde desenvolve melhor suas técnicas inovadoras e mais radicais. Críticos da época dividiram suas opiniões em relação a Coltrane, que havia mudado radicalmente seu estilo. O público também ficara perplexo; na França, ele foi vaiado durante sua turnê final com Miles Davis. Em 1961, a revista especializada Down Beat citou Coltrane junto com Eric Dolphy, como tocadores do “Anti-Jazz” em um artigo que confundiu e angustiou os músicos. Coltrane admitiu que muitos dos seus solos de antigamente eram baseados mais em ideias técnicas, e sua nova música vinha do espírito. O estilo de Dolphy o levou a ganhar a reputação de autor do movimento chamado “Free Jazz” e “Avant-Garde“, liderado por Ornette Coleman – que também foi denegrido por alguns músicos de jazz (incluindo o antigo chefe de Coltrane, Miles Davis) entre alguns críticos. Mas como o estilo de Coltrane estava se desenvolvendo, sua determinação era fazer de cada performance “uma única expressão”, como ele mesmo disse em uma entrevista.

Coltrane em 1962

Em 1962 estava formado o “quarteto clássico”, como seria chamado com Tyner, Garrison, Jones e Coltrane. Coltrane estava mudando seu estilo em direção a improvisações rítmicas, melódicas e motivacionais. A complexidade harmônica ainda estava presente. Em 1963 lança mais um ícone do Jazz, o álbum Impressions, consolidando mais ainda sua nova abordagem. Em seguida lança um ode à sua fé no amor e em Deus (não necessariamente o Deus cristão – ele diz “Eu acredito em todas as religiões”). Este interesse espiritual iria caracterizar muito a forma de tocar e compor de Coltrane a partir de então, como pode ser visto em álbuns como Ascension, Om e Meditations. O quarto movimento de A Love Supreme , “Psalm”, é, de fato, um arranjo baseado em um poema feito para Deus por Coltrane e impresso no álbum. Coltrane toca quase exatamente cada nota para cada sílaba do poema, baseando suas frases nas palavras. O álbum foi um sucesso comercial.

No final dessa época, Coltrane mostrou um crescente interesse pelo avant-garde jazz promovido por Ornette Coleman, Albert Ayler e Sun Ra, entre outros. Ele foi especialmente influenciado pela dissonância do trio de Ayler com o baixista Gary Peacock . Encorajou muitos jovens músicos de free jazz (como Archie Shepp), tornando-se um líder do free jazz para o selo Impulse.

O clássico Giants Steps (1960)

Após gravar A Love Supreme, o estilo apocalíptico de Ayler influenciou a música de Coltrane, as gravações do quarteto mostravam uma crescente abstração da forma de tocar, incorporando novos modelos como a multifonia, a utilização de overtones. Ele abandonou o soprano para se concentrar no saxofone tenor, tocando com o quarteto com crescente liberdade.

Em 1965 grava Ascension junto de Shepp, Pharoah Sanders e Freddie Hubbard, uma peça de 40 minutos de duração que apresentava solos ousados por jovens músicos do avant-garde. Assim como Coltrane, Sanders era um dos saxofonistas mais virtuosos de sua época. Enquanto Coltrane usava over-blowing (técnica que é usada em instrumentos de sopro, trocando a direção e/ou a força do ar para alcançar alturas diferentes de sons), Sander optava em usar nos solos inteiros. Quanto mais Coltrane tocava com ele, mais tendia ao som único de Sanders. John Gilmore foi também uma grande influência no último período de Coltrane.

Em 1965, Coltrane já se dedicava inteiramente ao sublime e a transcendência cósmica com sua música, já num período final de sua carreira. Esse período foi incompreendido por muitos ouvintes. Coltrane e Sanders foram descritos por Nat Hentoff como falando em sua “própria língua”.

Em 1967, Coltrane entrou em estúdio várias vezes gravando peças com Sanders (a incomum “To Be”, em que ambos tocam flauta), e outras em dueto com Ali.

Coltrane explorou o Hinduísmo, o Budismo, a Cabala, Jiddu Krishnamurti, ioga, matemática, ciências, astrologia, história da África e até Platão e Aristóteles. Ele diz: “Durante o ano de 1957, eu experimentei, pela graça de Deus, um despertar espiritual o qual me guiou a uma rica, abundante e produtiva vida. Em gratidão, eu humildemente pedi que me fossem dados os meios e privilégios de fazer os outros felizes através da música”. Em seu álbum de 1965, Meditations, Coltrane escreveu sobre ajudar pessoas: “…Para inspirá-los a realizar mais e mais de suas capacidades para viverem vidas significativas. Porque esse é certamente o sentido da vida.”

Coltrane

Na gravação de Om, refere-se ao mantra mais importante do Hinduísmo que simboliza o infinito de todo o Universo. A gravação de 29 minutos contém cantos de Bagavadguitá, um épico Hindu.

A jornada espiritual de Coltrane foi entrelaçada com sua pesquisa no mundo da música. Ele acreditou na estrutura da música universal que transcendia distinções étnicas, capaz de uma linguagem mística da música por si só. Os estudos com música Indiana o levaram a crer que certos sons e escalas poderiam “produzir sentidos emocionais específicos” (impressões). De acordo com Coltrane, o objetivo de um músico era entender estas forças, controlá-las, e passá-las para o público. Dizia que gostaria de levar para as pessoas algo como a felicidade e de descobrir um método que se quisesse qualquer coisa, conseguiria através da música.

Embora alguns ouvintes de jazz ainda considerem os últimos álbuns de Coltrane contendo um pouco de cacofonia, muitas de suas últimas gravações – entre elas Ascension, Meditations e a póstuma Interstellar Space são largamente consideradas obras-primas.

A influência a qual Coltrane exerceu abrange muitos gêneros de músicas e músicos. Jimi Hendrix, John McLaughlin, Carlos Santana, Allan Holdsworth, Jerry Garcia, The Stooges, The Doors, Christian Vander e Duane Allman citaram Coltrane como inspiração em seus trabalhos.

Blue train (1957)

A influência maciça de Coltrane no jazz começou durante sua vida e continuou crescendo mesmo depois de sua morte. Ele é uma das maiores saxofonistas de jazz influentes no pós-60 e inspirou uma geração inteira de músicos de jazz. Em 1965, ele entrou para o Down Beat Jazz Hall of Fame, e foi postumamente premi

ado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 1992.

A viúva, Alice Coltrane, após décadas de reclusão, ganhou brevemente um perfil público antes de sua morte em 2007. O filho de Coltrane, Ravi Coltrane, nome dado em homenagem ao tocador de sitar Ravi Shankar que Coltrane admirava, seguiu os passos do pai e é um notável saxofonista contemporâneo.

A Igreja Ortodoxa Africana Saint John Coltrane, uma Igreja Ortodoxa Africana em São Francisco, considerou em 1971 Coltrane como um santo.Incorporando a música de Coltrane com suas letras e orações.

Durante sua carreira relativamente breve, Coltrane gravou mais de 100 álbuns, tanto ao vivo como em estúdio, ou como líder ou sideman, criando um dos mais variados e profundos trabalhos musicais do século XX. Sempre foi e sempre será reverenciado e admirado por aqueles que entendem sua música e sua proposição.

Coltrane faleceu em decorrência de câncer do fígado em 1967 com 40 anos de idade.

Fonte parcial: http://wikipedia.org/

Uma resposta to “John Coltrane”

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